• Luciano N. Naka

Bullying na Caatinga!!





Os predadores também sofrem!


Quando um predador aparece, as presas potenciais se escondem ou fogem, certo? Errado! Para alguns animais, como as aves, o meio mais eficaz de não ser atacado é enfrentar ferozmente o predador. Esse comportamento é conhecido como mobbing e já vem sendo estudado há algum tempo por cientistas que tentam descobrir os motivos que levam as aves a se colocarem em risco e enfrentar o predador.

No nosso trabalho, nós fomos além dos motivos básicos e tentamos descobrir o porquê de algumas aves participarem desse comportamento (e outras não) e quais fatores poderiam ajudar a definir quais aves tendem a se unir no comportamento de mobbing. Para isso, fizemos experimentos de playback na Chapada do Araripe, na Caatinga, onde tocamos o som do Caburé (Glaucidium brasilianum) incentivando às aves a participarem do mobbing e com isso analisarmos algumas características ecológicas e evolutivas das espécies participantes do comportamento. A primeira novidade é que mais da metade da comunidade de aves respondeu ao som do Caburé, fazendo movimentos agressivos e buscando a corujinha. Com os experimentos, pudemos perceber não só, que o tamanho das aves e o tipo de alimentação delas são os fatores que mais determinam a presença ou ausência na participação do mobbing, mas também, que o comportamento de mobbing está bem estruturado conforme as relações evolutivas entre as espécies.

Assim, nosso trabalho pode afirmar que as aves que se juntam em um mobbing estão juntas não só para sobrevivência, mas também, por serem mais próximas ecologicamente e evolutivamente.


Lima, H., Las-Casas, F.M.G, Ribeiro, J.R., Gonçalves-Souza, T. & L.N. Naka (2018) Ecological and phylogenetic predictors of mobbing behavior in a tropical dry forest. Ecology & Evolution. Link